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No começo desta semana foram anunciados os indicados às categorias do VMA 2015 e isso causou rebuliço entre fãs, críticos, produtores e até mesmo os artistas. Uma breve análise das indicações já percebe-se que os que estão na disputa nas categorias são artistas que tiveram as músicas mais populares durante o ano. Aqui chegamos num ponto de questionamento e importante: a premiação nasceu e fez durante décadas jus a sua essência que é a de indicar e premiar videoclipes com qualidade. Podemos dizer que o VMA era o Oscar visual da música. É quase como se existisse o Cinema, Música e o Videoclipe. Uma arte independente e autônoma nas suas engrenagens. Mas, cabô! Parece que até premiações com credibilidade mundial estão sendo tomadas pelo mal dos novos tempos que já veio mostrando indícios desde os meados do século passado e seus ares contemporâneos: a superficialidade e a popularidade.

Eu escrevo tudo isso para você entender uma coisa: Nicki Minaj tá puta achando que não fez o requisito e xingando muito no Twitter! Dona do huge hit “Anaconda” que avassalou rádios e pistas do mundo inteiro, ela recebeu apenas duas indicações no VMA e está indignada com o fato. O clipe assim que estreou bateu o recorde de mais visualizações em 24 horas no YouTube, talvez pela sua coreografia, pela sua fotografia ou simplesmente pelas várias bundas enormes que Nicki e dançarinas ostentam pelo vídeo. Chega então uma menina branca, magra e com imagem de boa moça que não chega nem perto de falar “bitch” quem diria falar “dick bigger than a tower, I ain’t talking about Eiffel’s”, tira o seu recorde e é indicada pelo mesmo clipe a muitas categorias. E é aí que a nigga que grita dentro da Nicki ficou fumegante.

Pelo Twitter houve uma série de mensagens da Nicki declarando sua insatisfação. A imprensa viu nisso um prato cheio e a colocou num ringue contra Taylor. O público, que comprou a briga da Nicki Minaj, já estava indignado com as indicações chulas como “7/11” da Beyoncé para diversas categorias (um clipe divertido, mas precário, meio amador e desmerecedor de indicações por sua qualidade a não pelas influências de interes… ops Jay-Z). A mesma achou que tudo se exagerou demais e afirmou “A imprensa branca e sua táticas. Nada do que disse tem ligação com a Taylor”, hmmm será? Tendo ou não, sendo poder das midias ou não, tá posto uma disputa no ar e tá rolando climão na industria fonográfica. A dona do hit “Anaconda” tá ganhando mais atenção e mais poder do que teria se ganhasse um VMA, segundo afirma até mesmo a revista Time.

Deixo aqui uma indignação pessoal pelo clipe de “Bitch Better Have My Money” da Rihanna não receber nem uma indicação sequer. O clipe foi lançado justamente no dia 1º de Julho pois era o prazo limite de inscrição para concorrer as categorias. O vídeo conta com um excelente roteiro, uma ótima fotografia, tem Rihanna em sua melhor atitude de bad girl e uma brilhante direção. Tudo isso ignorado pela premiação. E não sou só eu que senti a injustiça: Katy Perry tweetou sobre o clipe da amiga Riri não ter sido indicado também.

Voltando ao caso Nicki X Taylor, “Bad Blood” e “Anaconda” são clipes bem feministas onde suas interpretes se encontram com estilos diferentes, biotipos físicos bem contrastantes e públicos alvos que se divergem um pouco. Eu vejo isso um pouco mais a fundo. Seria um segmento dentro do movimento feminista que exerce mais poder do que o outro? Há divisões doutrinárias dentro da luta? Seria o fato da Taylor ser branca, magra e loira e Nicki negra e com suas “curvas” bem acentuadas? O que a industria fonográfica mais vende importa na hora de deslumbrar o destaque?

Bem, as respostas dependem do ponto de vista de cada um sobre a análise do movimento feminista e de como o mercado musical opera, mas devo finalizar fazendo você questionar o seguinte: as mulheres estão colocando para fora a realidade que já vem há tempos sendo discutida – até entre elas mesmas – que são umas contra as outras?

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