Ele era mal cheiroso e grosseirão. Mas Danuza nutria um desejo secreto pelo boy de sua empresa.

– Preciso confessar uma coisa, como é mesmo seu nome?
– Silvester Stalone da Silva.
– Puxa, como pude me esquecer? Pois é, Silvester, posso te chamar assim?
– Todo mundo me chama de Rambo. Mas, fala sério, a senhora pode me chamar de qualquer coisa. Fala aí, Dona Danuza.
– Silvester… nem sei mais o que ia dizer.
– Eu acho que a senhora ia sair… pra se confessar.

Riu de si mesma. Onde estava com a cabeça quando pensou em puxar assunto com aquele ser tão silvestre? Mandou que fizesse um depósito e torceu para que não voltasse a vê-lo tão cedo.

À noite, procurou um canal na TV, que a distraísse até o sono chegar. Rambo II era muito agitado pra dormir, nem era seu gênero de filme, mas pela coincidência da vida, assistiu. Até ficar trêmula e relaxar.

Na mesma semana, Danuza em seu carro novo importado, não resistiu e seguiu Silvester em sua moto velha e nacional. Levada até uma favela, prosseguiu, não sabia como aos 40 anos de idade ainda não havia subido um morrozinho. Sentia mais adrenalina que praticar snowboarding na Europa. Até que Silvester Stalone entrou numa ruela estreita e sumiu. Danuza decidiu então continuar sua aventura nacionalista.

Conheceu a mais bela vista do Rio de Janeiro lá do alto do morro. Sentiu inveja dos pobres. Viu as crianças brincando descalças, as pessoas chegando do trabalho cansadas, gente sem camisa, mulheres sem salto. Ao andar por aquelas ruas desconexas, podia ver pelas janelas a vida daquelas pessoas lindas, já estava bêbada de tantos Brasis e odores.

No dia seguinte, Danuza não deu um passo sem pensar que poderia estar sendo observada. A cada passo, uma pose sensual seguida de uma respiração aliviada de não ter de fato visto Silvester. Lamentava ser uma pobre mulher sofredora de um desejo inconfessável.

Mais tarde em seu escritório mandou chamar Silvester.

– Silvester, infelizmente preciso fazer uns cortes no orçamento geral. E preciso demitir você.
– Mas Dona, por que eu? Alguém disse alguma coisa?
– Não é nada disso. Só é preciso. Passa no RH.
– Então já que eu tô saindo fora mermo…vou mandar a real pra senhora.
– …
– (raivoso) Tu é muito gostosa, esse teu rabo, esse teu cheiro de perfume caro, essa tua cara safada de mulher que quer dá. Se eu pudesse eu te comia aqui. (deu um soco na mesa).

Assustada, Danuza afastou a cadeira. E abriu as pernas.

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3 comentários

  1. fabricio azevedo silva

    Show!

  2. Sylvia Regina Marin

    Aline, você está cada vez mais afiada com as palavras. Li tudo e adorei. Beijos.

    • Aline Rezende

      Ha ha que legal!
      Obrigada pelo mimo….