Cresci ouvindo minha avó dizer que envelhecer era tão ruim que nem os próprios velhos queriam a companhia de outros velhos. E que diversão era ter gente jovem por perto.

Como nessa época a ideia de velhice situava-se em outra galáxia pra mim, eu achava graça das declarações da minha avó sem muito me aprofundar no assunto.

Noto que velhice é o não-desejo apesar de única certeza inexorável. Ninguém quer ficar velho ou sofrer qualquer tipo de efeito colateral do tempo. Por isso dá-lhe plástica, botox, preenchimento e lipo. Por isso os excessos de dieta e de todos os tipos de massagens e recursos mefistoféricos.

É mais que só vaidade – é a tentativa um tanto tecnológica de vencer a batalha contra o relógio. Pois se há um monstro sem cabeça, fantasma ou bruxo, ele se chama tempo. Bonzinho como remédio que cura quando passa, sábio, parceiro incomparável nas grandes coisas da vida, ele é mais que tudo o vilão master da nossa existência. Inegável. O arauto da  morte.

Voltando à minha avó, o desejo de se manter jovem é legítimo. O problema é como. O grande equívoco de todos os tempos é acreditar que a aparência rejuvenecida vai nos habilitar no clube da juventude. Não vai. A carteirinha de sócio-jovem benemérito desse clube está nas ideias, no linguajar, na amplitude da mente. Está até nos gestos e no jeans.

Ser jovem é conseguir dialogar com novinhos sem se perder e  fazer falta a eles. Ser jovem é , sem cair no ridiculo e artificial, ser cool. Naturalmente cool.*

*legal, descolado

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