Pitty: não desonre este nome do Rock Nacional.

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Quando surgiu a pauta para cobrir a Pitty eu, como jornalista, me animei bastante pois estava saindo um pouco do estilo de shows que costumo cobrir nos quais sempre giram em torno do mundo da música Pop. Apesar de ser fã do estilo Rock, sabia que meu tato deveria ser diferente ao entrevistar alguém desse segmento musical.
Ao chegar no local do show eu costumo observar sempre o público na fila, às vezes até já colho informações e opiniões do público na entrada para sentir o termômetro da noite ou até mesmo enriquecer a matéria com alguma informação relevante. No show da Pitty não fiz diferente: lá fui eu andar pela fila e observar o conglomerado de fãs. O que mais me chamou atenção era a miscigenação que existia ali. Tinha os típicos roqueiros, alguns pseudo-metaleiros, muitas meninas que mais pareciam estarem indo a um baile funk, uns meninos meio “little monsters” e uma galera que parecia que estava entrando num show de pagode por engano. Enfim, todas as tribos reunidas. Isso foi interessante observar e motivo de ansiedade para ver no que resultaria toda essa mistura durante o show.

Ao entrar no backstage a energia mudou completamente. Era típico bastidor de show de rock mesmo. Músicas pesadas rolando, pessoas vestindo preto para todos os lados, barbas, maquiagens escuras, correntes, pierciengs e eu ali, com meu jeans azul e camisa pólo repassando minhas perguntas para a artista da noite. E aqui chego no ponto alto desta matéria: passando as perguntas em vão, pois Pitty simplesmente cancelou o encontro com a imprensa do local na hora. Simples e prático assim. “Não quero atender”. Uma atitude meio “fuck off”, meio Rock ‘N Roll mesmo. Isso pode ser legal de se ver no palco, mas não quando você está ali para trabalhar. Não satisfeita, a mesma pede para esvaziar todos os corredores de acesso ao palco. Isso foi o fim da picada da queridinha do Rock nacional naquela noite. Acho que cabe citar um detalhe que nem artistas internacionais que já cobri e nacionais como Ivete Sangalo, Gilberto Gil, Paralamas do Sucesso, Skank, Jota Quest e muitos outros, deram chilique ou pediram isso. Alguém com uma voz pública forte como Pitty tem, negar imprensa em pleno vapor de sua nova turnê é como um “cala-boca” no ar.

E parece que essa atitude “foda-se” dela entrou no seu novo álbum também. Ele foi todo gravado com uma dinâmica diferente. Todos da banda reunidos com a cantora gravando direto (normalmente cada um grava separadamente). Como se fosse um ensaio em uma sala apenas revestida de esponja acústica para qualidade sonora. De resto, foi ali mesmo. Meio amador, super autêntico e foda-se: liga o record. Incrível isso. O álbum ficou ótimo e é elogiado pela crítica.

“Todo astro de Rock tem dessas atitudes”, pensei. Contudo, logo repensei: “astros como Rolling Stones, Gun’s, Foo Figthers e etc… mas Pitty? Opa, tô desmerecendo o produto nacional. Ela é astro Rock sim, no nosso país, mas é.” Conformado, fui assistir ao seu show de forma puramente técnica, crítica e profissional. Os instrumentos soltam seus primeiros sons, ela entra, platéia grita e todos começam a cantar em coro a música “Sete Vidas” que dá título ao seu novo álbum e turnê. Na terceira música ela consegue desbancar minha induzida frieza com a música “Admirável Chip Novo”. Vejo que, apesar de madura em todos os sentidos, Pitty mantem uma energia adolescente e vibrante. Isso sem dúvida é de vital importância no Rock e em seus palcos. Ok, cedi, me arrepiou, me fez cantar e me emocionou com o clássico “Equalize”. Enxerguei que ela como artista no momento tem como foco se dedicar na apresentação, na música, no seu público e ativar até as células nervosas causando emoção de jornalistas de nariz virado pelo que acontecera momentos atrás. Para a opinião pública ela deixa seu antigo verso “Cuidado quando for falar de mim e não desonre o meu nome”.

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