Com o avanço da Era da Informação, tudo se tornou muito rápido, evasivo e descartável. O que é consumido hoje, dura pouco tempo até uma próxima novidade, ou o desejo dela, aparecer e desfocar a atenção. No mundo da música, a indústria fonográfica sente forte pressão de cada vez mais lançar canções fabricadas apenas para lutar pelo topo dos charts, vender e serem reproduzidas em casas noturnas. Sempre paro e me questiono:  onde está a alma do artista em sua produção?

Alguns artistas batem de frente com suas gravadoras e tentam ter autonomia de seus projetos, conceitos e concepções. Porém, nunca é fácil. É uma disputa entre empresa (negócio visando lucro) e interprete (cantor visando expressão).  Pois bem, nesse cenário que, para o off-line é um campo de guerra e para o público é uma enxurrada de singles apelidados de “farofa” (músicas bem focadas em agradar as rádios e pistas de dança), temos uma mulher chamada Beyoncé!

Inovando e driblando a concorrência, a diva da música POP mundial sempre cria maneiras diferentes de lançar seus álbuns. O seu mais último CD chamado “Lemonade”, veio ao ar através de um longa metragem exibido no canal HBO para o mundo todo. Carregado de críticas, apoio a diversos movimentos como o Feminismo e o Black Power, o álbum visual e o sonoro – sim, aqui nasce uma nova vertente do conceito de transmídia na indústria fonográfica e cinematográfica – fizeram um enorme sucesso e simplesmente não tem nem um single “farofa”. Beyoncé mostra que não precisa se vender ao rádio e as pistas de dança para continuar desenvolvendo sua obra. Esse tipo de desenvolvimento é chamado cientificamente de evolução.

As faixas de “Lemonade” seguem acontecimentos sequenciais e com isso criam um conjunto coeso ao todo. E quem disse que o rótulo Pop tem que ser levado a sério? No álbum, há faixas extremamente Country, Rock, R&B e até mesmo Blues. Sua cadência brilha e potencializa a sua carreira de sucesso nesse projeto. É neste momento que lembramos que antes de apenas um single avulso, temos todo um projeto de uma formação de músicas que existem em um projeto, em um álbum. É quase como assistir um filme: você ouve o CD do começo ao fim. É uma experiência, tem consistência e aprofundamento. Não é a toa que resultou na brilhante ideia de explorar o audiovisual.

Particularmente, prefiro o que me deixa envolvido, o que tem causa, o que me faz pensar e refletir. Vai muito além de ouvir uma mistura de sintetizadores e letras chulas. A limonada veio para provar que o mundo da música está em modificação, encontrando seu rumo diante a nova era. E temos uma desbravadora: mulher, negra, mãe, nem um pouco recatada, com a bandeira das minorias nas duas mãos e com uma turnê mundial chamada “Formation” praticamente esgotada. Levando essas mensagens pelo mundo com toda garra, temos Beyoncé.

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1 comentário

  1. Glaucon Pimentel

    Genial! A sintonia ao termos a mesma opinião. Você resume meu sentimento a respeito do álbum em seu post. Obrigado!
    Você é um sucesso!