Cátia ganhava mal como professora e por isso fazia bicos. Pendurava quadros, fazia docinho de festa e etc. Até que conheceu o cachorro da vizinha, e se ofereceu pra levá-lo pra passear. E um dia, o que ganhava como “dog Walker” passou a ser mais do que seu salário no colégio público e mesmo sabendo da saudade que sentiria de dar aulas, mudou de profissão.
Descobrir o universo canino era um prazer. Lia todos os livros, revistas, e blogues sobre cães que podia. Participava de congressos, aulas de adestramento, concurso do mais lindo cão; sua vida social era muito canina.
Sempre procurou um homem pra chamar de seu, mas como nunca encontrou um que satisfizesse suas exigências, desistiu. E adotou um vira-lata surdo de uma orelha só. “Feijão” passou a lhe fazer companhia em todos os momentos, suprindo suas carências afetivas e emocionais. Mas Cátia não passava um dia sem lembrar dos seus ex-alunos, do quadro negro, da mancha de giz no jeans…
Quando viu o anúncio no jornal de “contrata-se professoras na Escola de Homens”, pensou que seria uma oportunidade ótima pra voltar a lecionar.
Preparou currículo, se arrumou discretamente, meditou, pintou as unhas e foi linda e cheia de classe tentar o novo emprego. Levou seu cão, pois assim achou melhor.
Chegando lá, viu dezenas de outras mulheres, achou que não seria fácil. Deveria fazer prova escrita, oral e física. Fez uma sensível redação inspirada em “Feijão”. A física considerou moleza, pois postura, e braços de aeromoça era coisa que treinava desde criancinha. Mas o que de fato garantiria sua vaga, era a prova oral.
A temida prova oral consistia em 3 realizações utilizando-se apenas de palavras. A mulherada errava feio. Algumas falavam tão baixo, que a banca mal as entendia. Outras falavam tanto, que a banca nem lhes dava ouvidos. Já outras falavam tão infantilmente, que ganhavam ursinhos de pelúcia por lamento de não terem passado na prova. Uma mulher foi tão grosseira, que assustou a banca. Sem contar as que vinham com discursos demais, feminismo demais, machismo demais, religião demais, psicologia demais.  Já Cátia sabia lidar divinamente com cães e por isso passou a frente de todas. Usou de muita simplicidade e apenas um tom de voz acima do normal, devido ao fato de Feijão ser surdo de uma orelha só.
A banca decidiu que esse tom acima de Cátia seria muito útil ao ensinar homens, pois eles costumam ser um pouco “surdos” quando atingem a fase do casamento. E todo seu conhecimento canino seria imprescindível.
Hoje Cátia é uma respeitada professora na Escola de Homens, já realizou mais de 100 adestramentos masculinos. E se casou com um de seus alunos, Rafael, que se tornou o melhor amigo de Feijão.

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