Drama histórico de Alcione Araújo, “ Nem mesmo todo o oceano ” entra em cartaz no Espaço Furnas Cultural

Montagem confronta o passado e o presente do Brasil, levantando questões de ética e valores morais
Leonardo Bricio protagoniza thriller contemporâneo baseado em romance histórico de Alcione Araújo
Peça volta ao Rio, de 19 a 27 de agosto, no Espaço Furnas Cultural, com ingressos grátis
Nem mesmo todo o oceano

Nem Mesmo Todo o Oceano – foto © Aline Macedo

Os instantes que antecederam o golpe militar no Brasil e os primeiros momentos de repressão estruturam o espetáculo “Nem mesmo todo o oceano”. Protagonizado pelo ator Leonardo Bricio, a montagem resulta da adaptação que a premiada diretora Inez Viana fez em 2013 do romance homônimo do escritor, dramaturgo e pensador Alcione Araújo. As apresentações de “Nem mesmo todo o oceano” no Espaço Furnas Cultural, acontecem em 4 únicas apresentações, nos dias 19, 20, 26 e 27 de agosto, sábado às 20h e domingo às 19h, com ingressos grátis, distribuídos na bilheteria 1 hora antes.
 
O espetáculo levanta questões de ética e valores morais, contando a história fictícia de um médico recém-formado. O público conhece a difícil infância de menino pobre no interior de Minas, os primeiros tempos de estudante vivendo em pensões no Rio de Janeiro, as decepções amorosas, as frustrações existenciais, a difícil sobrevivência em meio às feras do asfalto selvagem, enfatizando sobretudo o seu processo de perversão espiritual. A montagem é um thriller contemporâneo dentro de um romance histórico.
 
Na peça, fatos reais se misturam à ficção, trazendo ao espectador imediata identificação de uma das mais agravantes e dolorosas épocas do nosso país, a era da inocência perdida. A esse respeito a diretora Inez Viana comenta: “É a história de tantos brasileiros. Gente que se formou, mas não tinha nenhuma cultura geral. Um alienado. Você não pode estar desconectado da vida política de seu país. Ele (o médico da peça) chegou aonde chegou, por conta de sua alienação.” Inez conclui com uma reflexão: “É impressionante como essa peça, que fala dos anos de chumbo, acontece em ocasiões críticas do país: estreamos em agosto de 2013, no meio das manifestações contra o aumento das passagens de ônibus, e meio ano antes de se completar os 50 anos da ditadura militar. Fizemos depois várias temporadas e agora voltamos com ela no momento em que nossa democracia está ameaçada. No mínimo, simbólico.”
 
Na encenação, os atores Leonardo Bricio, Iano Salomão, Jefferson Schroeder, Junior Dantas, Luis Antonio Fortes e Zé Wendell, intercalam-se nos diversos personagens da trama, trajam figurino simples porém elegante, e atuam com a liberdade do espaço vazio (não há cenário). Com isso a diretora privilegia o ator, colocando-o como centro do espetáculo, valorizando o jogo teatral e a imaginação do espectador.
 
A estreia nacional de “Nem mesmo todo o oceano” aconteceu em 2013, na Arena do Espaço Sesc, Rio de Janeiro. A peça cumpriu outras temporadas de sucesso no Rio, nos teatros Glaucio Gill, Alcione Araújo e Caixa Cultural, passou pelo Galpão Gamboa e fez o circuito de 14 Lonas Culturais Municipais pela periferia da cidade. Em circulação pelo Brasil, fez o Circuito Sesc do Cariri (Juazeiro do Norte, Iguatu e Crato), se apresentou em temporadas em Campina Grande, Belo Horizonte, Fortaleza, Passo Fundo, Lajeado, Pelotas, Recife, Salvador e participou da programação oficial do Festival de Curitiba. Sendo indicada aos prêmios APTR de Melhor Produção e Questão de Crítica de Melhor Direção e Melhor Trilha Sonora.
 
Sobre a Cia Omondé
 
A Cia OmondÉ surgiu no final de 2009 da vontade da diretora e atriz Inez Viana em formar um grupo com atores e atrizes vindo de várias partes do Brasil, para o aprofundamento de uma pesquisa cênica, onde a diversidade, a brasilidade e o diálogo com a cena mundial contemporânea fossem concomitantemente estudados. Trata-se de uma busca aos signos do teatro, infinitos se pensarmos na precisão de um gesto ou na magia do aparecimento de um objeto em cena, levando o espectador a ser cúmplice não-passivo, co-autor e não somente voyer do espetáculo. O repertório da OmondÉ compõe-se das peças: “As Conchambranças de Quaderna” (2009) de Ariano Suassuna, “Os Mamutes” (2011) de Jô Bilac, “Nem mesmo todo o oceano” (2013) de Alcione Araújo, “Infância, tiros e plumas” (2015) de Jô Bilac e “Mata teu pai” (2017) de Grace Passô.


Serviço: “Nem mesmo todo o oceano”

Autor: Alcione Araújo
Adaptação e Direção: Inez Viana
Direção de Produção: Claudia Marques
Elenco: Cia OmondÉ / Leonardo Bricio, Iano Salomão, Jefferson Schroeder, Junior Dantas, Luis Antonio Fortes e Zé Wendell
Sinopse: Thriller contemporâneo que conta os instantes que antecederam o golpe militar no Brasil e os primeiros momentos da repressão, enfatizando o processo de perversão espiritual do ser humano.
Local: Espaço Cultural Furnas. Rua Real Grandeza, 219, Botafogo (tel. 2528-5166)
Únicas apresentações: 19, 20, 26 e 27 de agosto, sábado às 20h e domingo às 19h.
Ingressos: GRÁTIS, com distribuição na bilheteria 1 hora antes.
Capacidade de público: 170 lugares
Classificação: 16 anos
Duração: 80 minutos
Teaser do espetáculo: http://vimeo.com/73329373

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