ALGUMAS IDEIAS SOLTAS PRA QUEM QUISER SE UNIR A ELAS

I

CulturaPor que um governo destina 0,18% do seu orçamento para a Cultura?

E ninguém fala nada. E ninguém grita. Estão achando normal?

Ficam discutindo a pobre da Lei Rouanet. A Rouanet não é o Problema.

Tem defeitos, mas se corrige. Uma reunião inteligente e se resolve.

O 0,18% é que me agride. É roubo. Uma extorsão.

 Repassar 0,18% do orçamento para a cultura me nocauteia, eu que me esforço para produzir arte há 35 anos, nocauteia os meus que acreditam que a cultura salva, que o homem é feito de realidade e ficção, nocauteia o povo constituído de uma capacidade de imaginar que o saúda, a todos que pagamos nossos impostos impostos.

 0,18 é menos que 1, menos que meio por cento, é menos que 0,25%, é menos. É um pouco mais que nada. Habita a região da esmola.

 0,18% não dá nem para conversar. Pra iniciar uma conversa.

 0,18%.  é que é o escândalo!!! O absurdo!!!! A vergonha!!!! O descaso!!!!

Da a dimensão exata do que eles pensam sobre a importância da Cultura e da Arte para um povo.

 0,18% é quanto eles acham que a gente vale. A Fernanda, o Caetano, o jovem artista que está começando.

0,18 %. É a certeza de que continuaremos nesse Estado de Ignorância, Miséria e Estupidificação!!!!!

 II

 Perguntado a um político famoso, se não considerava antiético tirar dinheiro do povo para usar em benefício próprio,

ele respondeu: na nossa cultura não!

O problema do Brasil não é econômico, não é falta de dinheiro, o problema do Brasil é de corrupção, de desvio de verba, malversação,

portanto o problema do Brasil é ético, cultural, educacional.

A questão não é a falta de água, que água no Brasil tem, e se tem!

A questão é o desperdício, o desconhecimento, o mau uso.

A questão não é falta de dinheiro, é falta de educação, falta de cultura, de consciência, de valoração da inteligência, da qualidade, de investimento no homem, no cidadão, na sua relação com sua comunidade.

 III

Tenho ouvido inúmeras reportagens acerca da cultura. E pasmo. As discussões não passam mais pelo artista que não é mais chamado ao debate.

Quem responde por ele são congressistas, ministros, gestores, secretários, produtores, presidentes de fundações, agentes, captadores de recursos, empresários.

Gente, que mais das vezes, confunde Arte com Entretenimento, que confunde Cultura com Mercado, que não sabe, não tem a menor ideia qual seja a diferença entre uma obra de Arte, um espetáculo do Antunes, do Zé Celso, do Hamilton Vaz Pereira, do Gerald Thomas, Topa tudo por dinheiro, Zorra Total ou novela brasileira,

Tom Jobim, Caetano Veloso, Anita e Michel Telo que vendem. Gente que acha que se faz sucesso, então é bom.

 IV

Acreditem. Com o dinheiro que estamos vendo roubados ( Petrobras, e ainda nem começaram a ver o BNDES, a CEF, o MINC e tantas outras estatais) eu e meus colegas teríamos feito todas as obras de arte que sonhamos em vida.

Nenhum de nós estaríamos, como estamos agora, com as gavetas recheadas de projetos, e obrigados a produzir pouco, e em condições semi – amadorísticas. A 0,18%.

V

Eu tenho medo. Todo esse descaso com a cultura de um povo produz uma falsa apatia que um dia certamente explodirá sem limites de racionalidade.

0,18%? Não se deve brincar com a paciência do povo. Nem do artista. Não se pode testar seus limites, nem apertar sua garganta. A história mostra.

Uma hora o governo cai, derrubado pelo povo, insuflado por seus artistas, seres pensantes que se tentou calar por intermédio da prisão e censura ideológica, agora tentam calar por intermédio do descrédito, e censura econômica. Mas não se iludam: aqueles que valiam menos que meio por cento acabam, democraticamente ou não, derrubando, calando e prendendo um governo inteiro.

MISSIVA A EL REI

Informe D. Manoel,

que em Terras Brasileiras,

514 anos passados,

não há poste que não tenha sido mijado.

 

Diga ao Venturoso, que o mundo continua patético.

Que os filhos da puta, já tem filhos putos, e netos escrotos.

Os maus venceram.

E os bichos perversos estão todos em cargos de comando.

Que aqui como lá, em se pagando tudo dá.

 

Que depois da Burrificação, da Miseralização,

Dos tempos da Ignorância, chegamos a Era da Estupidificação.

(Explique ao Rei, que sendo a Era essa,  e ele português,

Que estupidificação é a edificação da estupidez),

Que o regime que usamos não é mais monarquista, e sim petista,

Que eles tem em comum o uso do favorecimento como moeda.

 

Se precisar desenhe, ao rei de Portugal

Que remédios há, mas se morre igual.

Que a vida melhorou,

Sem caravelas,

navegamos pela nuvem.

Já morremos aos cem anos, mas não sabemos como aproveitar esse milagre,

Palmeiras, nem sombras, muito menos Sabiá,

Há menos poeira, menos agua, já chegamos a Lua,

mas também não sabemos como aproveitar esse milagre.

 

Pergunte a Sua Majestade,

onde diabos foram parar as fadas medievais,

e suas varinhas de condão?

 

Por fim, o cutuque se ele dorme,

Que homens de bem contam-se nos dedos,

interrompa seu bocejo,

Que a informação mais importante vem agora:

Cinco séculos passados,

pois, ora pois pois, pasmais,

não se nota mais,

diferença entre animais,

vegetais e minerais.

Deixe uma resposta